quarta-feira, maio 27, 2009

Além de Tudo


Além de Tudo

Sete sóis e as sete luas,
Os quatro ventos num só.
Segredos livres nas ruas,
O mundo atado num nó.

Um céu de ouro branco,
Sobre o cheiro da terra,
Bate no esquerdo flanco
Sobre a paz e a guerra…

Asas neste sonho distante,
Amar em todas as palavras,
Sobre esse trigo ondulante,
Que em beijos tu lavras….

Sobre as flores de jasmim,
Sob a loucura desta vida,
Sonhadora até ao teu fim,
Dona da chave e da saída.

Cresce em luz o amanhã,
Fura a terra o verde crer,
Da esperança nunca vã
Um novo lugar a nascer…

Gotas de chuva choradas,
Brisas sibilantes e suaves,
Doces frases sussurradas,
Pintadas no voar das aves.

Do negro só há passado,
Da dor nem recordação!
Na memória Viver alado,
Ser Senhor sobre o chão.

Amar até o próprio amor,
Ser a tela e as aguarelas,
Do sangue ser vida e cor,
Ser parte nas coisas belas.

Se uma alma despertar,
Só um sonho a alimenta,
E voará sem nunca parar
Entre qualquer tormenta…

Deita-te, fecha os teus olhos,
Adormece no que agora lês…
Levanta-te entre os escolhos,
Diz-me, que sentes e que vês?


Anjos
27.05.2009

Para a Rita neste dia tão especial e importante para ela =)
Beijinho e Parabéns para a primeira e única WIP de todas ;)
(sonhar vai manter-te sempre viva, livre, única e Além de Tudo)

domingo, maio 17, 2009

Última Página


Última Página

As gentes sentam-se sobre o mundo,
À espera que ele não deixe de girar.
Somente esperando por mais um dia,
Mais uma noite que passe e os leve
Para saciar a fome de viver sem alma…

Sobre estes voam muito acima do chão,
Sonhadores de asas feitas de puro ouro,
Anjos que se tocam em movimentos de luz,
Que se amam do crepúsculo à nova aurora,
Que sonham e se esquecem de tudo o resto…

Há muito que partiram, levados pelo vento,
Abraçados ao eterno e infinito do tempo
Para serem as estrelas que faltam no céu
E na noite serem as luzes de outro mundo,
Um amanhecer que surge para o sempre!

Tristes e sós olham as gentes para as nuvens,
Presos aos espelhos em que se viram e reviram,
Afogados como Narciso na paixão do seu reflexo,
Quebrados como barro a que o sol secou a vida,
Corpos vazios e abandonados ao prazer dos dias…

Presos ao que tiveram, presos ao não ter,
Amarrados ao que tiveram sem entender,
Acorrentados pelas guerras que venceram
Sem pegar em armas, sem ter nunca lutado,
Perdidos entre a treva dessa falsa saudade…

Não olho mais entre as nuvens para a terra…
Há muito que reescrevo a mesma história,
Há muito que sofro a cada página que passa.
Letras de sangue que me levam o que sou,
Uma alma cansada que se abandona ao vento…

Deixasse apenas levar para bem alto e longe,
Para perto destes corpos alados e vibrantes,
Repletos de vida, de movimento e sentido.
E as lágrimas que chorar hão-de perder-se,
Morrer ao cair, como morre a dor e o passado.

Por entre o sol e a lua pintarei os passos,
Entre o princípio e o fim pintarei os dias.
Futuros com asas e utopias de distância,
Amores com desejo, com paixão e cor,
Anjo do azul para sempre eterno sonhador…



17.05.2009
Azueira
"à primeira wip de todas =) , obrigado por tudo, principalmente por me fazeres escrever!"

domingo, maio 03, 2009

Histórias de um Reino


Histórias de um Reino

O reino continua perdido,
O povo disperso e descrente
Nas finanças que são mendigas
E na fome é mais que a gente.
De almas não se fala nem se ouve
E a apatia vive senhora nos olhares,
Em tudo o que há e já houve,
Nas palavras e nos tristes andares…
Passam-se assim dias sobre dias
E noites só de escuro e vazio,
Os segredos são agora fantasias
E já não há anelos que levem o frio.
Não há silêncio nas palavras,
Nem fogos a arder eternamente
E essas terras que ainda lavras,
São colheita enferma e doente.

Alguém roubou o tesouro
E matou o último querubim.
Trocar a morte pelo ouro,
Quem faria coisa assim?
Rosto coberto e encapuçado,
Manto negro e assustador,
Onde passa tudo é levado
E o que fica é pranto e dor.
De entre as sombras surge,
Mata tudo em volta e passa
E enquanto o tempo urge,
Traz fome e traz desgraça.
Esse vulto que vai e vem,
Sem passado nem história,
Sem o nome de ninguém,
Mancha e arde na memória.
Deixa a arca vazia,
Povo e rei chorando,
A terra morta e fria,
O verde secando…
O breu que arrasta consigo
É o sangue que vai ficando,
É a má sorte e o inimigo,
É um barco naufragando,
É o fado de um coitado,
Há muito a cantar só,
Que onde morre é deixado
Para se perder no pó….
Levou tudo e voltará,
Para calar todas as vozes
E nenhuma coragem restará
Entre seus feitos atrozes.

Tranco as portas e fujo,
Temo perder os sonhos e a vida!
Choro pelo lugar sujo,
Que é este reino sem saída.
E no meio do meu partir,
Cansa-me a eterna distância.
O cansaço é o meu sumir,
É quem leva a minha infância.
Com ela vão as asas do vento,
Aquele meu desejar tão forte,
Voar doce de um dia lento
A beijar as serras do norte.
Entre as chuvas e o branco,
Neves de felicidades sem fim,
Este lutar feriu-me o flanco,
Este fugir arranca-me de mim…
Trespassa-me como lança o peito,
Fere o meu profundo amar,
Deixa a imaginação sem jeito,
Leva de Blimunda o amado Baltazar.
Queima no céu a passarola,
Que sonhos e almas fizeram voar,
Enquanto o povo se consola
Levam-me tudo o que me fazia andar…


Azueira
3.05.2009



"a todos os que lutam contra os vultos sem rosto e vencem, a todos os que resistem, sonham e vivem para ser um exemplo"

terça-feira, abril 28, 2009

Entre Trastes e Cordas


Entre Trastes e Cordas

Na melodia sem rumo que toco,
Nas notas com um sentido só meu,
Encontro espaço para criar tanta coisa…
Deixo correr nestas cordas alguma cor,
Depois à cor dou forma e um nome,
Um tom e um propósito, um tempo
E talvez até um pouco de magia.
Deixo que tudo se misture e se junte,
Deixo vibrar cada parte de mim
E vejo como tudo se enlaça no vento,
Ascende flamejando o céu em volta
E torna a descer até chegar a mim,
Envolvendo os meus dedos imóveis,
Beijando as mãos que sonham
E percorrendo a minha pele
Até entrar no meu corpo, no sangue,
Até que se fixe nos meus olhos
E seja as palavras da minha boca.
Enquanto este meu mundo gira
Todos os outros param sem razão
E só o meu coração bate eufórico,
A minha voz é um espírito livre
E nada cala este poema de sons!
Viajo nas suas partituras, neste barco
Que fiz com melodias e silêncios
E a que dei a rota do infinito…
Quando um dia, depois de muitos dias,
Eu for parte desta eternidade,
For um só com a velha madeira
Que alguém esculpiu para eu sonhar,
A guitarra que hoje toco para o céu,
Será pedaços do futuro que espera
E memórias do vazio onde me sentava
Fazendo vibrar a alma com o metal,
Ressoar a voz na frágil madeira,
Numa caixa de sonhos e segredos,
Nas linhas de um braço solitário
Que alguém me deu para me abraçar
E me deixar ser diferente…

Anjos
28.04.2009





sexta-feira, abril 17, 2009

Pedaços de Tempo


Pedaços de Tempo

Sobre o tempo erguem-se tempos
E sobre cada vida existências,
Como tornados enchendo o céu
De lembranças e fotografias de tudo ...
E nós quando no topo do mundo
Ou sentados nas nuvens, observamos
Com atenção e saudade o passado,
Vemos a brilhar as cores que o pintaram,
As formas que o moldaram, forte!
As palavras que o escreveram, eterno!
As mãos que o agarraram, firme!
E as vozes que o cantaram, amado!

Quando me sinto perdido invento-me,
A guitarra que toca sem direcção
E que cria o inimaginável sonhar,
O pássaro que voa além de tudo
E rasga o céu em gritos de liberdade,
A alquimia que se faz poção de amores
E se perde no calor de almas e corpos,
O simples homem que adora a vida
E que não sabe fazer mais do que sentir.

Eu sou estas utopias e loucuras,
Estes desejos e estas perdições,
Estes pecados e as suas redenções,
Porque ninguém pode ser tudo e nada,
Ninguém pode ser, sem saber partir,
Ninguém pode ser, sem querer chegar...
Todas as asas servem para voar
E todos os limites para vencer,
Porque se um homem decide sonhar,
O mundo pára para ser testemunha,
As gentes calam-se para que se oiça
A leve brisa da imaginação sussurrada,
Que enche o vazio da terra e do firmamento
Até não haver espaço para mais!

Vou-me deixar adormecer e partir
Para que a areia corra o tempo
E os ponteiros apontem os lugares,
Os momentos e os olhares,
Todo o existir que virá e que fique.
Mas enquanto isso, deixo fluir
Este sangue que inspira em volta
E respira o verde das árvores
E os seus densos ramos e folhas
E faz bater o peito a este ritmo,
Que não é mais que o pensamento
A crescer no azul em flocos de céu.

“Por todos os lugares”
16.04.2009



Para todos os vocês que são pedaços do meu tempo, pedaços de mim...e parte da história e de tudo o que vou escrevendo!

Obrigado a todos!

segunda-feira, abril 13, 2009

Lágrimas do Horizonte


Lágrimas do Horizonte

Já não sei como se chora…
Não me lembro do sabor das lágrimas,
Nem se eram doces ou amargas.
Não me lembro da sensação de as beber,
Enquanto mais escorriam na minha cara.
Já tentei e quanto mais tento menos choro…

A cada lágrima que não me cai dos olhos
Eu entendo com clareza porque não choro.
Eu sei porque o céu chora, eu sei porque choras,
Sei o que é dor e alegria e morte e vida,
Sei o que é vencer e cair por terra,
Sei o que é abraçar e beijar e ter,
Sei tudo e também sei que não tenho nada!

Não choro há mais dias do que aqueles que me lembro.
Na realidade nem sei quando foi a última vez que o fiz.
Só me apetece chorar para não pensar
Porque sei o que me leva as lágrimas,
Sei o que me seca a alma e os olhos
E não quero saber…

Todos os olhos têm um Horizonte
E atrás dele escondem-se limites e segredos,
Escondem-se sensações e memórias,
Coisas fortes e inexcedíveis,
Coisas que ninguém pode roubar,
Coisas que ninguém pode ter,
Coisas que só se podem viver!


Ando a tentar chorar o Horizonte,
Fazê-lo sem tristeza,
Até que chore um rio para o infinito.
Porque cada vez que choro sinto, Mas sinto com a força do céu
A magia que há em tudo...
Num olhar, num toque, num beijo,
No sonho, no sonhador e no sonhado…

Anjos
13.04.09

quando nos tiram uma sensação, mesmo que ela seja quase sempre associada a tristeza, não estamos completos...

quinta-feira, abril 09, 2009

Serras e Sonhos



Serras e Sonhos

Por entre a imensidão da neve
E o silêncio do puro branco
Nascem os meus pensamentos,
Como rebentos de verde esperança,
Erguendo-se da secura da terra,
À procura da luz do sol perdido,
Entre nuvens de gente sem rosto,
No meio de multidões de palavras
Que caiem sobre o chão queimando…

No topo do mundo, no cume de mim
Eu não sou rei, nem sou Deus
Mas vou sonhando que sou tudo
E sou apenas este nada que é pensar,
Este nevão que amanhã acaba
E que descerá as serras em água
Deixando ideias e partes de mim,
Deixando utopias e imaginações,
Deixando desejos e saudades…

Por entre a mudez dos montes
Ouvem-se cordas de guitarras,
Que ecoam em mim infinitamente,
Enquanto me perco nas estradas
E a minha alma se lança voando,
Para me dar a morte e o esquecimento,
A vida e a memória do firmamento…

Não morrerei nunca, porque sonho,
Com o dia em que me perco aqui
E me encontro num lugar sem nome,
Onde as palavras não bastam
E os pensamentos não chegam,
Onde entre feitiços perdidos e pureza
Surge a manhã pintada num olhar
E se forma a noite num só corpo,
Onde nada precisa de um sentido
E todo o infindável universo palpita,
Como sangue apaixonado em loucura
Para me fazer explodir eternamente!

Se os passos que aqui hoje deixo
Me trouxerem amanhã novamente,
Posso sorrir para o horizonte distante,
Porque entre a dor e o frio do gelo
Ainda Nascem flores de felicidade…


08.04.2009
Serra da Estrela


ao futuro...

segunda-feira, abril 06, 2009

Viagens


Viagens

Cada palavra que escrevo é uma viagem
Em que o corpo navega rumo ao abismo,
Para ganhar asas nessa enorme queda,
Para se desprender das águas e do mundo,
Para subir no céu, de velas insufladas pelo vento,
Como alma preenchida por um sopro de vida.
Vaguear pelas nuvens, vaguear pelas estrelas,
Correr como um cavalo alado sobre as serras,
Sobre o leito dos rios e os prados verdes
E voar livre pelo firmamento, onde anjos sonham
E Deus rege o tempo, o espaço e tudo o que vive.

A bordo desta passarola sem segredos
Fazem-se sonhos e pinturas de luz
De tudo o que do céu se avista na distância,
De tudo o que se ouve nas brisas envolventes,
Para guardar para sempre os momentos
Que estes olhos querem contar ao coração…

Não são mais do que palavras o que se lê,
Quando um sentimento invade uma alma
E faz a caneta da imaginação escrever,
Traçar linhas e formas repletas de cor,
Que descrevem as paisagens da utopia,
Que iniciam os mecanismos da memória
E os engenhos antigos de tantos passados,
Que abrem e folheiam os livros de história
Até então cobertos de pó e esquecimento…

Viajo em mim e em tudo à minha volta,
Viajo em sorrisos e naqueles que me abraçam,
Viajo na curiosidade e na descoberta,
Viajo em céus e oceanos, vales e montanhas,
Viajo em lugares sagrados e profanos,
Viajo no paraíso e no abismo profundo,
Viajo para contar o que vivo e o que vive,
Viajo em todas as estradas que me constroem,
Viajo e não me canso do que vejo e do que sinto,
Viajo e não quero nunca descansar,
Viajo e não quero nunca morrer,
Viajo para poder escrever e pintar…

Todos os passos e todos os trilhos,
Todos os caminhos que andei,
Todas as gentes com que falei,
Todos as mãos em que toquei,
Todos os sítios em que sonhei,
Todos os sentidos que tomei,
Todo o mundo em que me tornei…


06.04.2009
Vila Ruiva


o que hoje escrevo fica para uma maravilhástica leitora, para uma "princesa" apaixonada com olhos para um mundo diferente e para todos os que sonham e viajam comigo e com os mesmos desejos...


segunda-feira, março 30, 2009

Deitados Sobre as Nuvens


Deitados Sobre as Nuvens

Hoje deito-me sobre as nuvens e os sonhos,
No escuro da noite em que brilha a memória de ti,
Como a luz prateada da lua, como o arder de cada estrela,
Como o fogo que me consome e me faz ver-te de olhos fechados.
Não sei mais de ti que um sorriso, não sei mais de ti que um olhar…
Mas em tão pouco, sei tanto, em tão pouco, quero mais…
Quero mais do que este bater de coração pode aguentar,
Quero mais do que este barco pode navegar,
Quero mais do que estas asas podem voar,
Quero mais e mais e mais…
Fecho os olhos e só te vejo aqui!
Deitada nesta nuvem,
Deitada neste meu sonho,
Como anjo feito de luz e magia,
Com os braços à volta da minha vida,
Com a cabeça pousada no meu ombro,
Com a alma deitada sobre a minha.
Juntos num poema de utopia,
Juntos numa sinfonia sem fim,
Pintados numa tela de imaginar.
Deitados sobre as nuvens, senhores do mundo,
Senhores do céu e do mar, do vento e da terra,
Longe das gentes que andam perdidas…
Abraçados na doce brisa da noite,
Abraçados no leve movimento.
Abraçados na eternidade e no tempo,
Contando histórias e imaginando o nascer do sol.
Como corpos infinitos,
Como rios que num só oceano se juntam
Para serem o céu depois do horizonte.
Enquanto durmo não sei dos teus olhos,
Enquanto sonho és tu que estás aqui.
Mas do meu sonhar ao meu viver vai a distância
De te dizer todas as palavras que digo à noite,
De me deitar contigo na suavidade do firmamento,
De te abraçar e ser tudo…
Se te sonhasse todo o dia e toda a noite era feliz,
Porque não sabendo mais de ti que um olhar,
Não sabendo mais de ti que um doce sorriso,
Sei tudo o que faz o verbo sonhar
Sei tudo o que preciso!


“No céu”
30.03.09
'o pouco que temos, amado com a força do sonhar é tudo o que o mundo precisa para girar e não parar...'
para Ti =)

quinta-feira, março 26, 2009

Para Te Conhecer…


Para Te Conhecer…

Sento-me à beira deste rio que me leva,
Ouvindo a minha voz que desce o puro leito.
À procura de luz para toda a minha treva…
À procura de uma chave para o meu peito…

O sol deita-se suave no calor da terra,
A lua nasce embalando estrelas em si,
O mundo é o meu coração que encerra
Este segredo que hoje sonhei e escrevi!

A minha boca tem o teu nome escrito
Em todas as palavras que eu disser!
O meu sonhar tem vontade de infinito,
O meu pensar quer ser o acontecer…

Quero asas e o vento para saborear!
Quero o azul do céu para te oferecer!
Voar nas cores dos pássaros do ar,
Quero os teus olhos para me perder!

Navegar nos teus cabelos eternamente,
Em todos os ventos quero-me deitar.
Fechar os olhos e ver-te constantemente,
Horizonte deste oceano de imaginar.

Quero pintar o universo em ti,
Esconder palavras no teu sorriso…
Ver nos teus olhos o que não vi,
Sonhar-te o poema que improviso…

Estou aqui à beira de mim.
Estou aqui à beira a escrever
Palavras neste rio sem fim,
Palavras só para te conhecer…



25.03.2009
Anjos






terça-feira, março 24, 2009

No Zéfiro...


No Zéfiro…

Lava os meus olhos,
Lava os meus lábios,
Lava o sorriso triste de mim,
Lava o meu peito e a minha alma!

Pinta com as tuas mãos,
Pinta o teu mundo em mim,
Com a cor dos teus olhos,
Com o sorriso do teu beijo.

Mata a dor!
Mata a morte!
Mata o fim!
Mata o impossível!

Queima o meu sangue,
Queima o meu espírito,
Com amor infinito,
Com fogo de vida.

Apaga a tristeza!
Apaga os riscos que sou!
Apaga e desenha,
Apaga e dá-me cor.

Escreve o meu nome,
Escreve quem sou novamente,
Com a tinta do céu,
Com o sabor da terra…

Desfaz o medo!
Desfaz a ilusão!
Desfaz o meu cair!
Desfaz o que não sou!

Ama-me em sonhos,
Ama-me em poemas,
Com a força do querer,
Com a doce magia em ti…

Molda-me no crepúsculo,
Dá-me vida na aurora.
Serei teu para o Sempre
E nunca seremos o Nunca!

Soprados no zéfiro suave,
Eternos no jardim da noite.
Numa só alma, num só ser,
Abraçados no Horizonte!


24.03.2009
Anjos

terça-feira, março 17, 2009

Anjos


Anjos

Mesmo que só em sonhos seja verdade,
Mesmo que só no meu imaginar mais louco,
Mesmo que só no meu mundo de faz de conta,
Eu quero acordar todas as manhãs e ter-te ao meu lado!
Virar a cabeça nesta almofada de sonhar e ver os teus olhos,
A brilhar toda a esperança que resta neste canto do céu…
Com o sol a transbordar em ti, como nova madrugada,
Uma vida que nasce e que inspiro ao percorrer o teu sorriso,
Um perfume de futuro que corre na tua pele como um rio…

E quero escrever o teu nome em todas as pedras do meu caminho,
Quero pintar o teu olhar e também o teu sorriso em todas as paredes,
Deixar nelas o mundo que me faz viver, a força que me faz andar.
Roubar o azul do céu e pintar com ele a tua alegria, a nossa felicidade!
Pedir ao sol um pouco de fogo para pintar a magia que arde em ti,
Voar entre as aves, para recortar nas nuvens a beleza do teu corpo.
Correr na floresta e contar a todas as árvores quem tu és!

Mesmo que só no céu seja possível,
Mesmo que só no infinito eu seja capaz,
Mesmo que só no fim eu chegue lá,
Eu hei-de dar outro significado ao verbo amar!
Eu hei-de ser só de ti, para ti e por ti!
Eu hei-de ser pintor dedicado e quadro apaixonante,
Esta melodia que só toca para ti!

Hei-de dar-te a lua e todas as estrelas do céu e também a noite.
Hei-de dar-te asas e fazer de ti o anjo que me leva além do horizonte.
Gritar nas alturas que nada faz um coração deixar de amar,
Nada faz um sonho deixar de sonhar e sonhar,
Nada faz o sangue parar de correr ardente entre nós,
Nada mas mesmo nada faz um Homem que ama morrer!

E mesmo que seja sonho, loucura ou imaginação,
Enquanto fecho os olhos e parto de asas abertas
Ninguém pode dizer que amanhã quando acordar
Não serão os teus olhos a primeira coisa que vou ver!

À Carina neste dia especial, para que continue a amar e a ensinar aos outros a magia da entrega! =)

16.03.2009
Anjos

quinta-feira, março 12, 2009

Quando alguém deixa o que é por dizer…


Quando alguém deixa o que é por dizer…


Quando alguém deixa o que é por dizer,
E permite ao mundo essa descoberta,
Deixa a curiosidade e o desejo de saber,
Deixa um sorriso numa porta aberta.

Quando alguém deixa o que é por dizer,
Deixa ao vento um olhar que prende,
Deixa inquietude e vontade de saber
Porque há coisas que só a alma entende.

Quando alguém deixa o que é por dizer,
Faz com que o céu fique a perguntar,
Que magia guardada estará para se fazer,
Quando por essa porta outro sorriso entrar?

Quando alguém deixa o que é por dizer,
E outro alguém escuta a porta a abrir,
Não há força que consiga mais prender
Um sonho de voar, crescer e sorrir.

Quando alguém deixa o que é por dizer,
E transforma o mar em plena agitação,
Não há força nem Deus capaz de ser
Desse alguém, que sonha, uma prisão.

Quando alguém deixa o que é por dizer,
E deixa um sorriso numa porta aberta,
Deixa a esperança de alguém um dia ser,
A chave da verdadeira descoberta.

12.03.2009
Anjos
Porque não dedicá-lo a ti? afinal foi de ti que a curiosidade nasceu =)
A ti com um sorriso =)

quarta-feira, março 11, 2009

Último Barco


Último Barco

Parte agora, o último barco de hoje.
Parte só e vazio, como tem partido
Dia após dia, seguindo para longe,
Invicto nas ondas do mar sofrido.

Perde-se como lágrima num oceano,
Desprovido de leme nem capitão.
Sem vento que lhe sopre o pano,
Vai navegando pela ondulação…

Cada homem é um barco vivo,
Cada vida é um mar brilhante,
Que de baixo do céu compassivo
Palpita com sangue fervilhante.

Os dias passam e não são dor,
Não são feridas, nem doença,
São histórias de eterno amor,
São mais força e mais crença.

São o nosso desejo de infinito,
São tesouro que a alma encerra,
São o peito rasgado num grito
Ao avistar a tão sonhada terra.

Amor e vida sem tempo nem fim,
Que se espraiam no corpo sereno,
Que explodem e vivem em mim,
Que fazem este sonhar pequeno…

O barco ganha asas e larga o mar,
Flutua senhor do vento que passa
E enquanto se faz o meu imaginar,
Eu vejo encher-se a minha taça.

Tomo o leme, imponente capitão,
Senhor absoluto do barco alado.
Tomo esse sorriso, tomo pela mão,
Senhor com o mundo a meu lado.

Já partiu o último barco de hoje…
Partiu só e vazio, como tem partido
E mesmo que vá e para muito longe,
Ao amanhecer nada está perdido!


11.03.2009
Anjos

quarta-feira, março 04, 2009

Amanhecer


Amanhecer

Cessam-se os gestos,
Calam-se as vozes,
Ficam corpos perdidos
E olhares esquecidos,
Por entre os restos
Dos dias atrozes.

Repete-se o tempo,
Refaz-se o espaço,
Reconstrói-se tudo
Enquanto mudo,
Corre veloz o vento
Apagando cada passo…

Ondas explodem
Enquanto céus choram,
Almas fugindo
E o chão bramindo,
Para que não voltem
Todos os que já foram!

Angústia e dor,
Sofrimento sem limite.
Rasgam-se passados,
Ardem culpados
Em fogos sem cor,
Até que ninguém grite.

Nasce a luz,
Surge a vida da bruma
Como espada regressada,
Liderando a armada,
Trazendo vida à cruz
Magia entre a espuma.

Brilha o esplendor!
Azul céu, azul mar,
Verdes campos, paixão!
Sangue no coração,
Paleta de cor,
Um regressar!

Assim é morrer
Para ser mais,
Correr para o infinito…
Tudo se apaga no grito,
Tudo surge ao amanhecer!
Os sonhos são iguais…

04.03.09
Lisboa\Caparica

domingo, setembro 28, 2008

Jardim das Borboletas


Jardim das Borboletas

Fui entrando, sonhador e decidido
Pelo portão dos sonhos, entrada do jardim.
Dispo-me de todo o tempo vivido
E sou apenas eu, o melhor de mim!

Passo a passo, sonho em sonho,
Me envolvo onde estou.
E nesta viagem só eu ponho,
O limite para onde vou.

Piso o verde fresco deste lugar,
Onde me chama o desejo.
Vogo pela brisa para buscar
O mais doce e eterno beijo.

Encontro num vale o rio,
Onde correm cor e beleza,
Nele mergulho e confio
Minha vontade e certeza.

Eu te acho no outro lado,
Destas águas cheias de vida,
Envolta num manto dourado
Em luz a tua pele vestida.

Caminho para ti vidrado,
Nesse olhar tão sem fim.
O teu sorriso perfumado,
O teu corpo de cetim.

Abraças o meu ser,
Até ao mais fundo da alma
E deixas-me adormecer,
Descansar na tua clama.

Deitados sobre o chão,
Cor de esperança e alegria,
Ferve em mim a paixão,
Ferve em mim esse dia!

Em que o céu foi mais azul,
O sol nasceu noutro lugar,
O vento, que sopra para sul,
Veio para nos fazer voar.

Sermos magia de criança,
Sonho belo de madrugada.
O infinito que se alcança
Para nós é a chegada.

Da viagem neste jardim,
Num caminho de nós.
Ainda vibra em mim
A melodia da tua suave voz.

E ao chegar o anoitecer,
Beijo a tua pele tão quente,
Suave aroma faz viver
Este fogo tão ardente…

Desvanecemo-nos depois,
Num bater de asas, sou feliz!
Tudo isto é de nós dois,
Borboletas, como sempre quis…


Estação do Céu
26.09.2008

( ξβ porque sim!!!)


sexta-feira, setembro 12, 2008

Fogo de Artifício


Fogo de Artifício

Um rastilho ateou a noite e o esquecimento,
No silêncio do breu algo despertou um olhar.
Tudo explodiu e a aurora fez sucumbir o negro,
A virtude e o defeito em roda-viva, flamejando o céu.

Ascendiam como velozes aves rasgando o firmamento,
Queimavam tudo o que eu fui e sou bem cá dentro.
A quimera que nasceu é a solidão que morre,
Quando chegam ao topo do mundo e tudo é luz.

A manhã já é fogo e a tarde um sol incandescente,
Cheio desse calor que eu tanto abraço e abraço,
E que anseio cada dia que passa, cada hora que bate
No relógio do meu peito, segundo após minuto…

Abro as assas nesse breve voo e descanso
No teu colo, que pinto com as cores desse sonhar
E que explode em mim a cada palavra que escrevo,
A cada beijo que bebo no teu terno e suave sorriso.

Trovejam em mim os instantes em que a noite é o dia
E entram em mim os restantes em que dia é noite e me perco.
Vagueio numa doença chamada paixão e desmaio
Nos teus braços a vida nas tuas mãos um caminho!

Curas esquecidas, passados levados, fantasmas punidos,
Para dimensões apropriadas aos seus vícios e devaneios.
Só quero o eterno sol nascente e o orvalho da manhã
Em ti perdido sem pontes sobre os nossos rios…

Subir ao céu num instante mágico e sem mais donos,
O meu existir guardado em ti em vivas recordações.
Todos os passos ligados num infinito universo de cor,
Nossos dedos amarrados à esperança desmedida.

Só nossos corpos explodem nesta paleta,
Só o negro da minha noite se apaga num clarão.
No teu pescoço eu tenho o meu sorriso,
Na tua alma a minha vive…



12.09.2008
Bandalhoeira


Para a Borboleta mais mágica e fascinante, que explode em sorrisos e em cores no negro da minha noite

quinta-feira, junho 12, 2008

Tempo


Tempo

Deitado na areia espessa e fria,
Crucificado pelo manto que cobre o céu…
Tanta coisa frui em mim,
Tanta coisa gira a volta deste lugar.
Passando pelos retalhos que o tempo fez no véu
Chegam-me os brilhos e os fogos de outros mundos,
Que alguém deixou para lá do negro da noite…

Todo o meu corpo se entrega ao infinito,
Braços abertos esperando o desconhecido,
Olhos cerrados olhando o mar
E o cheiro do sal e o marulhar da rebentação entram em mim.
Só quero ser parte do areal,
Só quero ser parte do amor entre terra e mar.

Concebo o mundo num todo
E sofro com a minha insignificância exterior,
Enquanto eles saltam e rebolam na areia,
Falando alto sobre coisas sem sentido.
Eu não sou assim…

Eu só quero ser o vento
E ficar ali olhando, escutando, amando.
Eu só quero ser o tempo
E com isso ser e ter tudo.
Parar o dia em que se chora,
Parar a noite em que me falta uma parte da alma,
Parar o mundo que se suicida todos os dias,
Parar a existência e reinventar
Cores, sabores, sensações.
Reescrever o que me foi deixado e ainda ecoa da criação original.
Recriar o verde que um dia foi esperança
E agora não passa de uma cor e de uma palavra em tudo dissociadas.

E vejo a trovoada que urge no negro horizonte azul,
Sinto que o tempo muda mas o existir não.
Pinto o meu corpo em contornos fortes naquela praia,
Para que fique para sempre ali a minha vontade,
A minha força de amar loucamente e tudo o que há num “eu”.
Deixo lá todas as cores que circulam em mim,
Que bombeiam e ilustram o meu coração.
Enterro os tesouros que conheço e mapas para tantos outros,
Planto as sementes da minha vida e dos caminhos para a eternidade,
Lanço ao mar em garrafas mensagens para mundos e lugares distantes,
Segredo ao vento, para que suba ao céu e passe pela noite até ao universo,
Tudo o que sempre guardei e nunca ninguém descobriu.

Espero um pouco mais pela trovoada,
Mas ela ainda demora.
Os clarões ao longe são só o anúncio,
Tal como o que escrevo anuncia o que serei.
Porque hoje ainda não sou o tempo, nem o vento, nem o infinito, nem a eternidade,
Mas os meus passos são para essa escada de degraus de ouro,
Onde cada movimento é a unidade de tempo
E onde homens e deuses se regem pelo mesmo e único ponteiro.
Parto de costas voltadas ao ontem
E deixo ali naquele lugar o amanhã,
Para que o mar o engula e leve para outros paraísos que banhe.
Porque qualquer lugar é eterno e mágico,
Qualquer lugar é inferno e sofrimento,
Mas quem vive para o eterno é mago e alquimista,
Que transforma pedras em ouro,
Dor em luz, sangue em vida…

Ali fica a minha cruz,
Ali fico eu,
À beira do mar que sonho eternamente,
À beira do mundo e da sua gente,
Amor diferente, amor ardente,
Barco alado com viagem para o princípio do fim…


(Ericeira)
Caparica
3.06.2008

quinta-feira, maio 22, 2008

Espelhos


Espelhos

Atravesso a rua calmamente
E olho perdido as montras.
Diluído no ondular da gente,
Porque não me encontras?

Caminho alegre na minha tristeza
E deixo que a chuva seja o que falta de luz.
Absorvo cada sorriso e a sua beleza,
Deixo-me levar pela corrente que conduz…

Oscilo, observo e então prossigo,
Porque cada corpo tem um destino,
Como páginas de um livro antigo,
Onde me lembro de ser menino…

Trago o esquecido para tão perto
E choro o sofrido para longe de mim.
Deixa estar o livro bem aberto
E deixa folhas para contar o fim…

A chuva cai incessante
E as lágrimas fazem rio,
A tua falta é constante,
A tua ausência é o frio.

Olho-me nos mares de água
Observo-me, sinto-me a mudar.
Estou aqui à beira mágoa
E és tu quem estou a contemplar!

Procurei-te por toda a rua,
Nos cafés e nas esplanadas.
Esperei que chegasse a lua,
Esperei as luzes serem apagadas…

Sem medo e sem receio,
Seguro do que a noite traria.
É de ti que estou cheio,
És tu quem faz a noite dia.

Porque há fogo dentro de nós
E lenha dentro de cada ser,
E enquanto não formos sós
Há chama para nos acender.

Há o corpo fervente,
Há inspiração e sonho,
Há a palavra eloquente
E os versos onde a ponho.

Há um eterno elo de ouro,
Entre os do céu e os da terra.
Há pobreza no maior tesouro,
Há paz numa qualquer guerra.

Sente o sorriso dessa criança,
Que abraça a mãe ao teu lado.
Sente a felicidade que alcança
No infinito sabor do seu gelado.

Coisas tão insignificantes,
Para um mundo que não tem lugar.
Enquanto nós geramos diletantes,
Um dia com destruir outro com criar.

Até que alguém há-de acordar
E descer a mesma rua triste.
Navegar nos outros, navegar
E encontrar a verdade que existe…



Lisboa
22.05.2008


(à Joaninha, por me ter feito encontrar um dos meus espelhos que anda diluído no meio das gentes e perdido nas ruas...beijo)

quarta-feira, maio 21, 2008

Cores


Cores

Reaprendo as cores do mundo,
Em todas as suas tonalidades.
Mergulho azul no mar profundo,
Esqueço negro as futilidades.

Sangue fervente de vermelho,
Amarelo mágico de fim do dia.
Cara e corpo a mudar ao espelho,
Peço tudo o que queria…

Venha o medo e a incerteza,
O roxo do pecado e da dor.
O verde esperança e beleza
E todas as cores donas do amor.

Têm todas vida em mim,
Em qualquer ordem e lugar.
Tenho o princípio, quero o fim.
Só sonho o verbo chegar!

Quero o dourado de um rei,
Para dar à mais pura das rainhas.
Quero o céu e tudo o que sempre sonhei,
Que todas as cores sejam tuas e minhas!



Bandalhoeira
17.05.2008

(à minha "amiga colorida" que me traz todos os dias o amarelo do fim do dia, com um grande beijo azul)

segunda-feira, maio 19, 2008

Na Noite Escura


Na Noite Escura


Na noite escura
Você procura
Alguém que você amou…
E a vida dura,
Segura
Quem você não agarrou…

E você procura
No meio loucura
E não encontra ninguém.

Busca então a fé,
Que é
Razão para viver,
E você quer regressar
E amar
Quem o faz renascer.

E você procura
No meio loucura
E não encontra ninguém.

E aí regressa,
E achando que é dessa
Você procura melhor.
E o seu amor
Voltou,
Só p’ra você.

E você procura
E no meio loucura
Afinal encontra alguém…

Que ama você…

19.05.2008




À Mariana, grande apaixonada por esta letra, que deixo com a data especial de hoje =)


Beijos e Parabéns





Diário de Bordo


Diário de Bordo

Olho as horas demoradas,
Pouco falta para o meio-dia.
Vejo as semanas passadas
E repenso quem seria…

As decisões de um Passado
E as escolhas do Futuro,
Deixam algo marcado,
Tiram algo seguro.

São um quarto para o fim,
Da vida que pode ser tão breve.
Procuro redefinir para mim,
Este fardo nada leve.

Carregando às costas o tempo
E no peito a saudade,
Eu penso no movimento
Da perpétua verdade.

Tenho um caminho a escolher,
Um universo de opções.
Tantos textos para escrever
E um infinito de sensações.

Embarco na viagem
Para um desconhecido desejado,
Estamos todos aqui de passagem
E todos com um legado.

Debaixo da almofada
Guardo sonhos e o diário de bordo,
Uma vida recordada,
Por palavras em que acordo.

Todas as manhãs,
Todas as noites também,
Eu vejo almas vãs
E corpos sem ninguém.

Mergulho no oceano
E morro sem ar.
Vida no branco pano
Das velas, que hei-de rasgar…

Hoje mudo a direcção,
Viro o leme para o céu,
Tenho a minha ressurreição,
Ergo-me do meu mausoléu.

Vamos para o sempre renovado,
Eu e quem me saiba amar.
Tempo e espaço apagado,
Só mar para navegar!

Não há uma só corrente
Que me possa prender.
O peito é ardente
Ao ponto das ondas fender.

Então rompo as vagas,
Rasgo o peito para viver,
Tudo o que tu tragas,
Tudo o que em mim queiras ser…


Caparica
15.05.2008

Assassino da Monotonia


Assassino da Monotonia

Penso constantemente em verbos que se desvanecem,
Em viver, amar, sentir e em tudo o que dai se deriva.
Penso constantemente e não vejo porque se esquecem
E se apagam da existência, só por si já tão esquiva.

Ensino e procuro apreender as minhas matemáticas,
Interrogando os olhos de quem não me ouve nem vê.
Tentando encontrar razões e justificações práticas,
Provavelmente nada mais do que um porquê…

Sou julgado, assassino da monotonia,
Homicida da plenitude e ignorância.
Aquele que desmascara a hipocrisia,
Aquele que rouba o dinheiro à ganância.

Tenho esperanças de outros futuros,
De outros verbos, pessoas e conjugações,
Espíritos que saltem novos muros,
Almas onde se possam escrever novas lições.

Algoritmos de verdades absolutas,
São chão estéril e de pouco alimento.
E essas mentiras que amas e escutas,
São falso alívio para o puro sofrimento.

Não há uma regra que possa reger o ser,
Não há um lugar e um céu perfeito para alcançar.
Só há o presente para que o faças crescer,
E uma morte que deixe a voz eterna para te cantar…



Caparica
06.05.2008

sexta-feira, abril 25, 2008


Perdas, Decepções, Traições e Outras Vitórias

Perdas, decepções, traições e outras vitórias,
Mil duras situações mil e uma outra histórias,
De tempos e momentos para esquecer,
Dias cinzentos, o céu a chover.

Negro, escuro, noite, segredos do breu,
Caminhos pouco seguros, no universo que sou eu…
Andando deambulante, vida perdida na hora
Morte constante, sangue a correr corpo fora.

Espeta o punhal fortemente no eu lírico,
Morrer como animal, sentimento empírico.
De joelhos sobre o chão em que não morri,
A morrer sem justificação pelo mal que não cometi…

Mas o morrer de hoje é o nascer amanhã,
Às vezes a lógica foge e faz a razão coisa vã.
Distante de semânticas e significados mesquinhos,
Renasço em forças quânticas de universos vizinhos.

Com a energia de um sol que há muito explodiu,
Preenchido pelo fole do ar que alguém expeliu.
Sopro de vida significado para o ser,
Porta de saída que do céu veio descer…

Abre-se para o mundo do futuro mudado,
Em apenas um segundo o sofrer é levado.
Não há rimas possíveis entre bons verbos e más pessoas,
As coisas plausíveis são sensações em tudo boas.

Já perdi e ganhei, fui afastado da verdade,
Traído, nunca paguei com a mesma liberdade.
Podia não ser eu, mas não era assim ninguém,
Porque eu vivo do céu e do que está mais além…

E vou vencendo, aquele que me quer derrubar,
E vou vendo, o que o mundo tem para me dar.
Acabo por não comprar o que tenho para oferecer.
Espero só alguém que queira amar, dar e receber.

E continuo a viver, amar e a sentir,
A chegar e a querer, a lutar e a partir.
E eu eterno ressuscito e eu uno me faço,
O peito solta o grito e o corpo dá o passo!

Na direcção do índigo, céu azul misterioso,
Parto migrante para o sul esperançoso,
De ter a única, divina e absoluta verdade
E algum dia numa esquina eu cruzarei a eternidade...


Caparica
23.04.2008

terça-feira, abril 22, 2008

Menina do Mar


Menina do Mar

Nos teus olhos sinto a alma de um mar,
No teu cabelo o sol que se espraia, raiando areal fora.
Minha virtude tem sido esperar,
Que haja mundo e haja hora!

Quero ter em mim a força da rebentação,
Das fortes ondas que agitam a praia serena.
Ter o céu e o infinito na minha mão,
Para fazer da distância coisa pequena.

Procuro-te do outro lado do risco eterno,
Que separa os homens de deus.
Quero ver nascer pontes de carinho terno,
Entre os meus olhos e os teus.

Quero sentir esse teu perfume,
De mil brisas e ventos soprados.
Ver acender-se e crescer em ti o lume,
Deliciando meu espírito em teus reflexos dourados.

Quero pintar-te o infinito e tudo mais além,
Dar-te o que só ao mar diz respeito,
Roubado docemente ao ondular que vai e vem
E levado por mim a velejar até ao teu peito.

Não sei quem és nem de onde vieste,
Voz do azul, companhia divina.
Só sei que estas palavras foram o que quiseste
E são só tuas, meu mar, minha menina…


Praias de S.João da Caparica
16.04.2008
(Para a Diana...com o sol e o mar ...)

Quero(te)


Quero(te)


Queria ver unidas música e palavras,
Nas doces linhas de um corpo leve,
Mas os campos de trigo que lavras
São no meu mundo alimento breve.

Falta-me o sol quente e a chuva fria,
O cheiro da terra molhada ao amanhecer…
Tenho o desejo de saber o que o céu seria
Se nascesse depois do trigo morrer.

Eu quero a noite e a bruma,
Quero o dia e a luz,
Quero o mar e toda a sua espuma,
Quero a praia e o vento que me seduz!

Balanço e oscilo livremente,
Sobre mundos e sobre gentes.
Quero equilíbrio permanente,
Quero loucuras de corpos e mentes…

Quero morrer e viver,
Viver e morrer eternamente!
Quero saber e não saber,
Saber e ignorância em equivalente.

Quero ser forte e não ter força alguma,
Para sempre, fortemente preso à liberdade…
Quero o universo e coisa nenhuma,
Ser virtude e a nulidade.

Não quero ser mais do que eu,
Não mais do que tudo e nada…
Quero o infinito escondido no céu,
Quero o Horizonte porta de chegada.

Quero um toque de maldade
E outro de altruísmo e entrega.
Quero ser acusado de bondade,
Quando a sua falta se alega.

Quero ser teu e meu simultaneamente.
Estar sozinho e com o mundo num só.
Quero o nunca e o constantemente,
Quero ser lembrado e morrer como pó…


Caparica
04.2008

terça-feira, abril 01, 2008

Curas de Sangue


Curas de Sangue

Hoje sou a tua sombra deambulante,
O teu reflexo no fumo que se desvanece.
Hoje sou o relógio de corda inconstante,
Que chora o tempo de que se esquece.

Sou o teu sangue latejante,
Num rio de raiva crescente,
Onde as vagas de luz flamejante
Levam e afogam toda a gente!

Rasga as muralhas do teu olhar,
Chama-me do mundo do índigo.
Venho nas asas do verbo Sonhar,
Venho eterno, venho ser teu Abrigo!

Preencher as feridas nos teus braços,
Arrasar a dor do teu corpo leve.
Fazer-me vivo no vazio de cada espaço,
Matar os cavaleiros da vida breve…

Solidão, medo, dor e morte.
Nuvens negras, céus do inferno,
Abismos da escura sorte,
Que trespassam o corpo mais terno.

Deita-te e descansa em mim,
Sou teu barco para outro firmamento,
As asas que te roubam ao derradeiro fim,
A nova vida, o novo nascimento…

Monte Caparica
01.04.2008

quinta-feira, março 13, 2008

Devaneios por Extenso


Devaneios por Extenso

O que é linear numa imagem?
O que se olha e não se vê?
Até quando estaremos de passagem,
A viver sem um porquê?

Quando escreveremos o mundo com gestos,
Com sons, palavras e afectos?
Quando lançaremos nós actos manifestos
De sentimentos e ideais rectos?

Quando seremos dois num só
E tudo no nada?
Quando ergueremos do pó
Vida eterna, vida amada?

Quando falarei e serei ouvido
Por mares de corpos apaixonados?
Quando amarei e serei sentido
Por teus olhos iluminados?

Quando, quando, quando…?
Como, onde, porquê?
Não sei mas vou amando
O que vejo, o que se sente e não se vê

Até lá, deixo o que penso,
Um livro, letras, ideias, um eu…
Breves devaneios por extenso
De alguém que Morrerá, Cresce, Nasceu…


Lisboa
28-02.2008

sexta-feira, março 07, 2008

Sumir



Sumir

Hoje sou um barco afogado no oceano,
A folha que morre no vento sem rumo.
Sou todo eu o findo cair do pano,
O fim de um cigarro, cinzas de fumo.

Sou o efémero grito de morte.
Sou um princípio sem fim.
Sou as cores de negro forte,
Da noite que cresce em mim…

Escorre o tempo no meu leito,
Morre a solidão de um dia vago.
Falta-me o ar e o fogo no peito,
Falta-me a luz que agora apago.

Acordo neste templo profano,
Onde o céu cedeu por inteiro.
Movem-se corpos ao som de um piano,
Bailando perdidos pelo nevoeiro.

Há lágrimas num copo de infinito,
Que escorrem de mim sem as chorar.
Há sangue num coração que bate aflito,
Salta na alma, salta no corpo sem parar…

Morre, vive, morre, pára,
E tudo o que despertou adormece.
Na vida que é fraca, breve, rara
E no espírito que se enfraquece…

Bandalhoeira
07.03.2008

domingo, fevereiro 24, 2008

Eclipse



Eclipse


Hoje somos um só a ver estrelas e a sonhar o horizonte.
Enquanto a noite corre todas as janelas sem entrar,
Passa pela minha e leva-me até onde quer que tu estejas,
Com a tua luz a ofuscar a ténue existência dos seres nocturnos,
E com todo o teu brilho a convocar um eterno sonho em teu redor.
Absorve-me nesse teu calor e perfume!

Faz vibrar em mim cada pedaço vivo de imaginação e de utopia!
Deixa-me deitar a cabeça no teu colo e olhemos pela varanda,
Esquecendo que lá em baixo as ruas dormem do frenesim habitual,
Que os candeeiros marcam tristemente lugar nas calçadas despidas
E que os poucos homens que as percorrem levam os bolsos vazios.
Olhemos antes o que está para além,
Enquanto a fugaz frincha de lua faz brilhar este mundo.
Olhemos para ver que somos um e que esta noite tudo se completa.
Que o barco parte e navega o infinito,

Que o pássaro abre as asas e voa o eterno,
Que os nossos corpos se juntam na distância,
Que os nossos passos se movem na escuridão.
E quando não houver nem a lua, brilharás tu
Dentro de mim transbordando pelo céu,
Até que se encha de inveja a senhora da noite e chorem as estrelas do firmamento,
Até que o pulsar único deste breve momento preencha toda a alma,
Até que o olhar irradie a tua vida, a tua essência, esse meu deslumbramento.
Não restarão palavras, só toque, entrega, chegada...
E quando o pano descer e se calarem os aplausos,
A minha cabeça continuará no teu colo e o meu coração deitado sobre o teu.
Eu terei o mundo...
E a minha noite escrever-se-á com as palavras em que nos deitámos.

Bandalhoeira

24.02.2008

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Fascínio de Mudança


Fascínio de Mudança

A noite não é a luz que falta,
Nem os escuro que cresce.
Não é o coração, a pulsar que salta,
Nem um corpo que se mexe.

Fazem-se conclaves,
De gentes desconhecidas
Para erguer pelas claves
Partituras, escritos e outras vidas...

Arrastam-se em frenesim,
Aqueles cujo interior colapsa.
Noite após noite festim,
Que passa, passa, passa...

Donde vieste?
Para onde voltas?
Que amor trouxeste?
Que segredos escoltas?

Que guarda armada é a tua,
Que me deixa sem mim?
Que intriga as pedras na rua,
Passos e passos sem fim...

Fascinante certeza
Do sorriso a deambular.
Terrível bela natureza
Que me deixou a pensar...

Mudar assim um universo
Só com sorrisos e fitar de olhos.
Se não há sonho, não há verso,
Há um barco preso nos escolhos...

Ah mas eram olhos vivos!
Eram olhos de um tudo infinito.
Lábios esquivos
Beijando o que foi escrito.

Apagando ponto a ponto,
Letra a letra, sem parar,
O que tem sido o encontro
De uma vida sem pensar...

Escrever a alma
Sem ter lido a paz e a guerra,
É não saber o que diz essa palma
Nem os segredos que encerra.

Quem me dera mais uma hora...
E outra e outra depois dessas.
Andar por cenas e actos fora
A ver o mundo representar as suas peças.

E tu que partiste o inquebrável,
E reescreveste os papiros de um passado,
Levas o sorriso inesgotável
E deixas-me um todo uno e saciado...

05.02.2008
Bandalhoeira


Para ti doce desconhecida...

terça-feira, janeiro 22, 2008

Os Anjos da Minha Rua


Os Anjos da Minha Rua

Os anjos da minha rua são os pombos.
Lágrimas que Deus chorou dum dia plúmbeo e triste
E que se despedaçaram, num bater de asas, sobre os telhados e águas furtadas.
Passaram à porta da loja de música fazendo soar os gongos
E abanaram tudo o que fora e dentro de mim existe,
Deixando as lágrimas correndo em minhas mãos molhadas.

E é da janela do terceiro andar que vejo o tempo,
Vejo-o passar pelo espaço dando nós
E olho a norte o que vem e a sul o que vai,
Apagando-se as pegadas na praia de calçadas, que piso a cada momento
Ouvindo gente que fala e não tem voz
E que entra em mim e logo sai…

A cada dia vejo mil caras e nenhuma é igual.
Num circulo de linhas rectas que se curvam para dar forma
A um sem lugar de lugares comuns e de caminhos,
De factos vindos do desléxico sobrenatural
Que troca as letras de coisas dentro da norma,
Para formar as complexas malhas dos ninhos.

Onde se deitam lágrimas aladas,
Com frases que só Deus diz aos anjos chorados.
Poesia de eternidade e de amor dedicado,
Ao passar de ondas por almas lavadas
Que invadem corpos deitados,
Em movimento ondulatório quente e delicado…

Batem as asas nas telhas do sótão
E do meu dormir cansado eu os vejo abraçados,
Na ternura de um calor que nasce nesta tarde de Inverno.
E enquanto o sangue vai e vem do coração,
Os laços estão sólidos e apertados
E tudo se mistura e tudo se transforma e tudo é eterno.

Deus falou e eu ouvi…
Levantei-me e caminhando percorri o futuro.
Vi-me no espelho tão diferente e mudado, mas mesmo assim tão eu.
Recordo tudo o que fui, tive e senti
E nada, do meio do escuro,
Pode trazer o que se perdeu…




Lisboa (Rua dos Anjos)
15-11-2007

sexta-feira, setembro 07, 2007

Prefácio Joana Vaz





"Bem, aviso desde já que o meu jeito com palavras não é, nem de longe, parecido com o teu mas, vou esforçar-me para fazer uma coisa decente... afinal de contas, não é todos os dias que uma pessoa é convidada para escrever um dos 13 textos que irá figurar o prefácio! E que numero giro...mas adiante!
Conheci este poeta num EVJ (afinal sempre é verdade que estes encontros vicariais promovem novas amizades) onde este menino começou por mostrar que dá umas “arranhadelas” na guitarra (grande serenata..hihi)! Mais tarde, surgiu a Liricoterapia, ou seja, uma terapia através de poemas! E foi aí que eu conheci o verdadeiro dom do Pedro: a poesia!
Ele brinca com as palavras de uma maneira espectacular, transmitindo por escrito aquilo que lhe vai na alma, acabando por ir ao encontro daquilo que as outras pessoas que lêem o que escreve sentem! É caso para dizer que o Pedro “é um fingidor./ Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/ A dor que deveras sente” (grande Fernando Pessoa...vê lá se não fazes como ele e arranjas heterônimos). E vendo bem, o restante poema também é verdade, porque a “dor” que os leitores sentem é a própria dor deles, nunca as duas do poeta...okay, vamos deixar-nos de fernandices e passar a pedrices...
Eu já estou farta de perguntar isto, mas, quando é que lanças um livro? É que tem uma certa piada as pessoas conhecerem os teus poemas antes de tu entregares o óbolo ao barqueiro, para poder receber um autógrafo... mas enfim.
Como eu acho que esta “coisa” já está a ficar um bocadinho comprida, acho que está na altura de a finalizar, desejando-te poucos eufemismos, muitas onomatopeias “melosas” (hihi), muitas hipérboles, epizêuxis e diácopes (estas duas últimas vais ter que procurar) com amor, saúde, família e afins, poucas perífrases (a bom entendedor meia palavra basta...) e, se virmos bem, poucas antíteses, poucas aliterações (ninguém te quer a falar como o “V”), poucos paradoxos...ou seja, que tudo te corra bem e que consigas sempre realizar os teus sonhos!"

Beijocas de tua paciente
Joana Vaz =)

sábado, agosto 25, 2007

Amor


Amor

Pensei fazer rimar num só poema
Todas as palavras que continha.
Amor seja esse o tema!
Que loucura esta a minha
Que nem foi problema
Pois bastou uma só palavrinha…

Tu!

Lisboa \ Azueira
13\14.07.2007

Sonho e Música


Sonho e Música

Sentei-me lá fora na cadeia de baloiço,
Já era tarde…
As nuvens em fumo
Cobriam o foco que a lua era naquela noite.

Cruzei as pernas
E deixei-me embrenhar nos barulhos da escuridão,
Coro de sussurros, movimentos e gestos calculados,
Delineados na orla verde negro.
O astro adquiria à passagem de cada nuvem e sombra
Um brilho indescritível e vibrante,
Que incidia sobre a varanda
Onde ainda hoje olho este mundo e vejo o outro!

Subo agora os três degraus, lembro-me da varanda,
E lá está ele novamente,
Um foco que incide directamente em mim,
Um coro expectante de sentimentos
E uma imensidão de silêncio agitado.

Soltam-se notas,
Que são tinta para as palavras.
Harmonias que acompanham a voz do sonho,
Melodia flutuante
Feita da crença do que ouve e do que espera ser ouvido.
Há um desejo a dois,
Um rumo colectivo de pegadas conjuntas na areia
De um tempo, que nem o mar feroz pode apaziguar.

Deitei a cabeça e vi-me envolto numa partitura,
Onde componho a vida.
Com mais dinâmicas ou mais ritmo,
Num “Largo” de conforto, consonâncias, repouso, saudades e calma.
Num “Andante, ritmo de vida e de ocupação,
Que as circunstâncias trazem com constante barra dupla no final.
Num”Alegro” de agitação louca e descontrolada, com dissonantes alterações,
Tercinas sem sentido encaixadas em divisões de seres binários,
Que se perdem por não saberem qual a clave em que escrevem a vida.

Todo o homem tem um sonho!
Guardado dentro ou fora da caixa pulsante
Onde correm os rios de vida rubra.
Cada sonho acende um fogo,
Que consome a alma ou o corpo,
O espírito ou a matéria.
E não há como comprar um sonho,
Que sonhos são coisa livre e sem preço
E ou os temos ou seremos sempre vazios no vazio.

Não há mais música num sonho
Que sonho numa música!
Porque seguindo a receita, Deus os fez em conta perfeita,
A sinfonia alegre e doce,
Que penetra a pele de cada um
E corre nas veias
Acendendo a vida e o sonho,
De um palco mundo, de uma lua brilhando sobre nós
E de uma noite que nos abrace e nos dê o Sonho eterno

Agosto 2007

quinta-feira, agosto 23, 2007

Erros


Erros

Tantos passos já andei!
Tantos dei em falso.
A pobreza a que me larguei
Deixou-me descalço.

Piso o mundo com pés de louco,
Durmo em qualquer lugar.
Tudo me sabe a tão pouco,
Porque havia eu de falhar?

Fracasso por amor excessivo!
Mudei tudo para te ter,
Dei sorriso ao “eu” depressivo,
Nasci depois de morrer.

Procurei ainda a plenitude
E com certeza no meu desejo,
Busquei ter a virtude
De ser outro ao dar-te um beijo…

De sentir a força que corre
E deixa o mundo a girar em frenesim,
Que mata, dá vida e não morre
E que explode dentro de mim.

Não te dei nunca um beijo…
Mas já fiz tanto para te o dar.
O quadro que em sonho vejo,
Acaba sempre por se rasgar.

Perdoem-me os que atropelei
Na minha ânsia louca,
De ganhar as guerras que travei,
De beijar teus olhos, sentir tua boca.

Não posso errar mais assim
E olhar o erro que fica para trás.
Deixar que ele tome conta de mim,
A rir irónico, negro, mordaz.

Passaram tantos anos voando,
E tantos erros ficam plantados.
Os sonhos que vou sonhando
Estão cada vez mais acorrentados.

Grito aos sete ventos,
Até ao surgir da aurora,
Que quero em gestos lentos
Abraçar-te e saber que é a Hora!

Bandalhoeira
23.08.2007





terça-feira, agosto 21, 2007

Morrer


Morrer

Dei dois passos
E então cai.
Abri os braços,
Respirei fundo e sorri.
Cortei os laços
A que me prendi.

Vou explodir!
Aperto os dedos
Para nada fugir.
Deixo só os medos,
Esses podem partir
De meus olhos ledos.

Livre do mundo,
Preso a mim.
Poço sem fundo,
Asas de querubim.
A vida num segundo,
Único, sem fim…

Tempo sobre tempo,
Escuridão a cair,
Num só movimento,
Que me faz sair.
Tão breve mas lento
Este meu sumir.

Paro de repente!
Há algo familiar
Neste estranho subitamente.
Como pode uma queda parar
E ter fim o eternamente,
Para onde me queriam levar?

O corpo contraído,
Enche-o a dor.
Instante sofrido
Passa sem clamor.
Logo esquecido,
Cresce o calor…

Sobe a ansiedade
E corpo também.
Alguém o puxa à verdade
Quem será, quem?
Quem devolve a liberdade
Que foi e agora vem?

Plenitude!
Enche-me de mim,
Será mais uma vicissitude?
Princípio ou fim?
Não é inquietude,
Mas é frenesim.

Sombras de luz imensa
Confortam, abraçam,
Que força intensa
Com que trespassam.
Acendem a crença
No fogo que lançam.

Morri
De tanta vida.
Parti
Para voltar à partida.
Cheguei e vi
Adeus, estou de saída…

Vou lutar
De sangue e alma.
Coração a palpitar
De tanta calma.
Conheço o verbo sonhar
Como da minha mão a palma.

Luto pelo céu,
Pelo sonho que vivi.
Deito-me no mausoléu,
Que eu próprio construí,
Para escondido no teu véu,
Ser tudo dentro de ti.

Chamas de fulgores anis,
Luz no inferno.
Cinzas em que me desfiz,
Calor de Inverno.
És tudo o que sempre quis,
Amor eterno!

Lisboa
13.07.2007

sexta-feira, julho 13, 2007

Arranca-me do chão


Arranca-me do chão

Deitado no chão,
Escuto ao longe a sirene.
Bate com o coração,
Nada é menos perene…

Meia vida tem o corpo,
Onde está a alma.
Vazio e morto,
Mas tão cheio de calma.

Ainda te vejo chegar
Mesmo cego da dor,
Tenho de te implorar
Um último favor.

Apaga a razão,
Leva-me de mim.
Arranca-me a este chão,
Dá o meu fim!

Volta a sorrir
Antes que não te veja.
Deixa sair
Esse calor que me beija.

Está na hora!
Não há como me agarrar,
Ninguém me chora,
Façam só por me guardar…

09.07.2007

Espelho


Espelho

Numa noite vimos todas as mulheres do mundo!
Todas, sem que faltasse uma.
E em todas vi cores presas numa prisão de duas paredes,
Uma preta e uma branca.

Exausto de toda a busca fechei os olhos.
Ouvi-te perguntar por entre o escuro:
“Quem escolheste?”
Não soltei uma só palavra.
Acordei do meu sono e sentei-me chamando-te para junto de mim,
Depois destapei o espelho
E nele explodiu em milhares de cores a tua imagem,
Como uma tela pintada pelo pintor,
Que dá vida aos seus quadros…

Sorriste!
Com o sorriso de sempre,
E em ti brilhou mais uma vez a paleta,
Onde se misturavam
Céu e oceano, terra e fogo
E o jardim das rosas que perfumaste com o teu cheiro.
Do centro da fusão do mundo vi gerar-se uma pomba de luz
Que me trouxe o convite…

Toquei no espelho e tu tocaste-me.
Deitei-me no verde ao teu lado a ver nascer o sol de oiro
E passar o tempo incolor.
Passei do mundo para o Mundo
E fui o que a ti te pintei!
Acordo pleno e vejo nas minhas roupas a cor do sonho
Já sei quem quero que me escolha…

Lisboa 09.07.2007

Labirinto


Labirinto

Que raiva,
De ser neste corpo
E não escapar até ti
Em espírito só!

Beijar-te os cabelos
E o teu gesto calmo!
Envolver-te
E sentir o teu calor!

Ser teu só teu…
E não estar encurralado
Num labirinto,
Que plantei e que cresci.

Fico pelo sonho!
Até amanhã…
Poucas palavras,
Muito amor e saudade!

Lisboa 03.07.2007

Vento Forte


Vento Forte

Apagado o tempo
E o ritmo do compasso.
Sopro com o vento,
Sou dele quando passo.

Da madrugada
Embebida em azul,
A voz afogada
Aponta para sul.

Venha o vento forte
Que me leva para ti.
Venha a pouca sorte
De ser o que não vivi.

Venha o vento forte
Que me leve para o sul.
Lanço me à sorte
Do eterno céu azul.

Numa terra distante,
Onde ardem água e fogo
Numa luta constante
Para gerar um corpo novo.

Perco me de mim,
Desleal até à razão.
Numa busca sem fim
Pela eterna perfeição.

Lisboa
03.07.2007

Conversas Mudas


Conversas Mudas

Junto às flores,
Que de amarelo pintam o nosso chão,
Toda a confusão dentro de mim.

Do dia atravessado em passos de palavras
E em conversas de caminhos e significados,
Andámos Unidos!

Segredo,

Chamei a esta prisão.
Caixa anónima que prende tudo, o que em mim quer explodir,

Com quanta força haja no universo…

Segredos de Sonhos,
De Mundos e de Tempos,
Em mundo e tempo onde pouco há de sonho…

Ainda respiro imaginação

Que me leve para lá do sono

E que propicie que o esforço de uma só letra me faça vivê-lo!

Segredos revelados,
Nos olhos e nos gestos,
Onde o silêncio compra o silêncio do corpo.

Nunca dei por terra um Sonho,
Que fosse mais que fantasia ou desejo
Para ser inexplicável necessidade de ter asas para Voar
Num só a dois…

Perdido
É o que se esconde do Sonho, não luta
E não crê o impossível
De onde sorri a felicidade!

Não me perdi!
Na realidade ando encontrado
E é isso que me dói…

Segredos calados
Em conversas mudas,
Em gestos presos,
Em Sonhos enjaulados…

Despeço-me.
Abraço-te e levo-te sem que o saibas…

Fecho a porta
E sopro umas últimas palavras e um adeus…

Amanhã é outro dia
Mais difícil…
(Saudade!)
Lisboa 03.07.07

Sempre


Sempre

Amigo,
Nunca esquecido,
Para sempre encontrado,
Nunca perdido.
Sangue e alma num abraço,
Que enche o espaço,
Que aumenta com a despedida.
Somos chegada
Nunca partida!
Vamos.
Voltamos.
Vivemos.
Sonhamos!
Somos e amamos,
Como um céu de eterno azul raiado.
Estaremos no norte, no sul
E em tudo o que possa ser lembrado.
Alma minha, saudade,
Minha força e liberdade,
Minha chuva renovadora,
És as lágrimas que se chora
Quando a partida dói,
Na hora e no coração
E no muito da alma
Em que são lembranças tuas
E memórias das palavras em que danças
E das histórias que guardaremos
Para sempre em nós,
Recordando o que vivemos.
Escutando eternamente
A música cantando na nossa voz,
Do fundo de um lugar,
Onde brilhando o luar
Terá sempre mais magia
E onde a noite será o dia
Do abraço, que na escuridão fria
Apertou o laço que nos ligou
Para um sempre que não é o sempre que leva o vento,
Mas o que se guarda na palma da mão
E que nela esconde o firmamento
Que nunca tem fim…


(à minha querida amiga Inês, por tudo o que de bom se passou e por todos os poemas que me fez escrever...este é O nosso poema)

24.06.2007